Alguns pensamentos e o "Kashaya Tea" da Matte Leão
Meu bolo de aniversário carioca e meu chá paulista Ribeira
Sim é verdade, ainda estou viva! Peço desculpas pela falta de atualização mas é que realmente ando numa correria. Estou reformulando o site da minha loja e estou cheia de encomendas e enfim... o tempo anda escasso. Comemorar o meu aniversário também deu trabalho, foi jornada dupla, em Sampa e no Rio. Começo a sentir o peso das 30 primaveras!
Independente disso, vou tentar jogar alguns pensamentos que rondam minha mente... fiquei sabendo que algumas unidades da Loja do Chá fecharam em São Paulo. Uma notícia muito triste e uma prova que o mercado de chá não anda evoluindo como gostaríamos. A segunda prova eu vou contar abaixo na degustação deste chá importado oficialmente pela marca nacional Matte Leão:
Fui com meus amigos no café aqui perto de casa e me deparei com este chá. Minha amiga logo me contou que estava à venda no mercado e era da Matte Leão. Achei curioso mas como eu não iria conseguir tomar um bule sozinha (todo mundo queria café), deixei para depois. Quando tive a oportunidade de encontrá-lo no mercado fui seca colocá-lo no carrinho. Mas uma coisa me chamou a atenção e já me deixou com a pulga atrás da orelha... eles vendem esse chá na versão Chá Verde ou Chá Branco e ambos tinham o mesmo preço. Muito estranho uma vez que o branco é infinitamente mais caro em qualquer outro lugar. Mas como quem vê cara não vê coração, prossegui na compra.
Aliás, a cara desse chá é bem bonita por sinal. A embalagem chama a atenção por ser diferente e com um design fino, utilizando-se de cores douradas. O único problema desse design é que ele não é nada prático. Guardá-lo no armário ocupou bastante espaço. Este chá se apresenta em sachés triangulares de um material parecido ao que já vimos aqui em outra marca importada. Infelizmente não é dito na embalagem do Kashaya qual o material utilizado nessa rede do saché mas o que realmente peca é que seu cordão é muito curto para infusão em bule, ficando quase para fora da água em recipiente médio com água para duas xícaras.
Ao olhar para o chá dentro do saché quase transparente já baixei minhas expectativas. Vocês podem ver a foto acima e vou colocar abaixo a foto do chá branco normalmente conhecido na área gourmet:
Notaram alguma coincidência visual? Pois então saibam que o cheiro é bem sutil e lembra levemente o cheiro do chá branco como na foto acima. As folhas após a infusão ficam bem verdes e nota-se como foram recortadas em fatias para serem colocadas no saché. O chá branco geralmente não se corta por já serem as folhas mais novas, os brotos da planta. Sua delicadeza é tanta que você enxerga os pêlos envoltos nas folhas do chá e a sua cor é clara pela pouca fermentação recebida.
O líquido que obtive do triângulo do Kashaya Tea era de cor amarela, cheiro quase imperceptível. Seu sabor foi, no geral, uma lembrança de um banchá fraco e sem a vivacidade do chá branco. Em algumas infusões chegamos a sentir um certo sabor plástico, como de algo queimado, que talvez tenha vindo do saché.
Eu achei uma ótima iniciativa da Matte Leão de incluir um chá com maior requinte no mercado nacional mas eu acredito que ao preço de R$17 vale mais comprar uma marca importada. Chá com qualidade não é barato mesmo e trazer tanta embalagem para uma baixa qualidade no produto principal não adianta. O chá mate que eles fabricam nacionalmente é mil vezes melhor do que este degustado hoje.
O acompanhamento que vocês vêem na foto é um fukashi manju, doce japonês com recheio de feijão doce.
Fico por aqui, espero de verdade retomar as atualizações mas a promessa é aberta pois ainda acho que meu sistema precisa de um mês todo para ficar pronto. Até lá meu tempo vago é incerto mesmo. Queria também dizer à mi amiga boliviana Andrea: mejoras!
Mais um dos perfumados chás da marca argentina Inti Zen. O Patagonia Bee é formado de mel, baunilha, cacau mexicano e chá preto indiano. Em sua embalagem ele é indicado "Para suavizar as palavras"...
Este chá vem em saché e a embalagem mais uma vez é muito bonita com uma arte especialmente feita para este blend. O seu cheiro enquanto seco é puramente mel. Após a infusão ele fica muito perfumado, lembrando flores com toques de baunilha. Sua cor é um profundo caramelo que lembra o tom do próprio mel. Seu sabor é doce em seu começo mas o cacau e o chá preto invadem a boca e deixam um finzinho deliciosamente amargo. Ele casou muito bem com esta rosca recheada de doce de leite que utilizei - os doces em harmonia e o amargo contrastando no final, um toque perfeito!
Aproveitando este tempo instável que ainda está nos derretendo aqui no Rio de Janeiro, trago umas sugestões de chá gelado.
O chá gelado, modalidade inventada pelos americanos, pode ser feito com o chá da sua preferência, modo de preparo tradicional (infusão em água quente), adição de açúcar a gosto e depois refrigeração. Outro modo de preparo de um chá gelado é deixá-lo de molho na quantidade de água desejada (fria ou temperatura ambiente) na geladeira, por uma noite. No dia seguinte é só peneirar e adicionar o açúcar a gosto.
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Chá de Lichia Gelado com Limão
- 1,6 litros de água - 4 sachés de chá de lichia da sua preferência - 1/3 de limão - açúcar demerara a gosto
Dica para os sachés: Dê um nó, juntando os barbantes, para que fique mais fácil sua retirada ao final.
Adicione o suco do limão. Adicione o açúcar ainda no chá quente para que ele dissolva melhor. O cítrico do limão é suavizado pelo doce da lichia e o açúcar demerara dá o suave melado ao final.
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Chá Amarelo Gelado com Melão
- 1,6 litros de água - 4 porções de chá amarelo da sua preferência - 1/4 de melão cantaloupe - açúcar a gosto
Prepare o chá normalmente. Com a ajuda de um mixer, bata pedaços do melão com o chá já gelado e adicione o açúcar a gosto. Você pode coar a bebida se preferir. O melão é bem suculento e saboroso e o chá amarelo traz frescor à bebida juntamente com um toque naturalmente adocicado. Lembrando que o açúcar é sempre opcional (neste caso em particular sequer utilizei).
Selecionei alguns vídeos que demonstram as Cerimônias do chá no Japão, Coréia e China. A China foi quem influenciou tanto a Coréia como o Japão na tradição do chá apesar de cada lugar ter desenvolvido uma cerimônia própria. Todos buscam uma interação espiritual/filosófica com a natureza e a demonstração de cortesia e hospitalidade ao compartilharem esta especial bebida.
A Cerimônia do Japão é a mais difundida no Brasil, assim como a cultura japonesa em geral. Eles utlizam o matcha e instrumentos específicos para o seu preparo:
Em uma das dinastias da Coréia foi inventado a Cerimônia do chá para o dia a dia e outra só para dias especiais. Os chás utilizados variam entre os verdes, pu-erhs e infusões com flores.
A Cerimônia chinesa é conhecida como a mais "desajeitada" pois a quantidade de água utilizada (e que consequentemente respinga para todos os lados) é notável. Eles até utilizam uma caixa especial de madeira que serve como uma pia para facilitar o troca-troca de água. Os chás mais utilizados são os oolong, preto e verde. Por ser o país mais influente no quesito chá, eles tem muitos significados e histórias sobre o assunto que merecem uma pesquisa mais detalhada pelos amantes da área.
A minha amiga Carla Ikeda deu uma virada na vida profissional dela e se entregou ao que ela faz maravilhosamente bem: Bolos! (Outras coisas também, claro, mas vamos focar nessas deliciosas tentações!)
Bolo de Aniversário inspirado no filme "Maria Antonieta" de Sophia Coppola
Ela tem um talento para bolos decorados que faz eles parecem verdadeiras obras de arte! E não são apenas bonitos, são gostosos por dentro! Alguns de seus ingredientes contam com cacau puro belga, chocolates belga 70%, 64% e 54%, extrato de baunilha, Bourbon de Madagascar, etc.
Essas gostosuras vão perfeitamente com os chás da tarde, incluindo os perfeitos cupcakes que ela produz. Caso tenha gostado, entre em contato:
Tee Gschwendner: "Formosa Fancy Oolong Ming Xiang"
Na semana passada, ao voltar da rua, me deparo com uma sacolinha na portaria do meu prédio. Sem entender, reconheci o logotipo estampado na sacola de longe, era da Tee Gschwendner, mas o que ela estaria fazendo ali, me esperando? E não é que era tudo uma surpresa da Nina e Marcelo do blog Gourmandise? Foi um mimo muito bem-vindo e que compartilho hoje aqui com vocês! Para a Nina e o Marcelo um imenso obrigada pela surpresa tão maravilhosa!
A marca Tee Gschwendner (A loja do chá) já foi vista em outros posts e sabemos que é encontrada nacionalmente. O chá de hoje é o Formosa Fancy Oolong Ming Xiang.
Um chá oolong está classificado como um meio termo em relação ao chá verde e o preto no quesito fermentação e isso lhe garante características de ambos como veremos abaixo. Os melhores Oolongs vem de Taiwan, caso deste em questão, e são considerados um dos chás mais finos do mundo!
A embalagem funciona bem para sua conservação e este chá apresenta-se em folhas inteiras e soltas. O seu cheiro enquanto seco é doce, floral, levemente frutado lembrando um pouco o chá branco.
Após a sua infusão as folhas mostram mais claramente uma característica do Oolong: Durante sua fabricação o chá é fermentado somente até que as pontas de suas folhas comecem a escurecer - e o "escurecer" varia dentro dos vários tipos de Oolong (Oolong significa semi-fermentado) -, restando um bonito dégradé na sua composição, muito inspirador e propício para a entrada do outono por aqui. A coloração restante do seu liquor é um límpido caramelo alaranjado.
Uma vez citei que o chá Pu Erh era considerado o vinho dos chás por causa do seu envelhecimento. Pois saibam agora que o Oolong é considerado o champagne dos chás pois o seu sabor levemente perfumado, refrescante por sua parte herbal ao mesmo tempo em que a sua fermentação lhe proporciona o fundo sutilmente tostado, balanceado com as notas de frutas/flores como pêssego (neste caso), o transformam em um líquido muito rico, complexo e prazeroso.
É um dos chás mais complexos que experimentei até hoje e o harmonizei com estes Sablés Bretons de Damasco da marca Douceurs de France, empresa do Rio de Janeiro, que produz biscoitos finos. Foi um achado no mercado e caiu muito bem na harmonização pois o damasco casou bem com o frutado do chá. A sua massa também é leve e saborosa, com textura que me remeteu à famosa queijadinha brasileira.
Por uma experiência tão rica, só posso agradecer mais uma vez ao Goumandise! Obrigada!!!
Em São Paulo, bairro do Tatuapé, há poucos anos atrás abriram essa panificadora que hoje também possui um restaurante e se tornou um grande sucesso na região. O seu ponto forte é a grande variedade de pães e doces perfeitos para o chá da tarde! Destaco o pão doce com creme e a torta de morango, bem populares e deliciosos com um chá preto.
Panificadora Marengo Site: www.panificadoramarengo.com.br Endereço: Rua Francisco Marengo, 699, Tatuapé - São Paulo Telefone: (11) 2296-3399
Nome:Yuri Home: Rio de Janeiro Ela: Uma tomadora de chá desde
a infância e uma degustadora de chá desde os últimos
tempos. www.yuri.com.br Email:Clique
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